Um ser de água desconstruído
Quarta, 06 de Março de 2013
por Liliana Cunha
Apresentada ontem, 5, no palco do Teatro Académico Gil Vicente, a Revista Via Latina contou com um ‘showcase’ de músicas inspiradas no tema e uma conversa entre colaboradores da edição
A décima edição da Revista Via Latina, pertencente à Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra, encontra na metáfora “Águas mil” a tentativa de descodificar múltiplos significados. O tema subordinado continua a ser o da Semana Cultural da Universidade de Coimbra, este ano com o mote “Ser de Água”.
Foi então na base da desconstrução que a revista foi estruturada porque “nem só de água vive o homem”, elucida o diretor da publicação Filipe Furtado. Encontram-se trabalhos que variam desde projetos fotográficos a arte computacional até à possível privatização do bem essencial à vida.
Para falar um pouco sobre o trabalho na revista dois dos colaboradores debateram sobre as influências e problemáticas consideradas nos dias de hoje sobre a água. João Pereirinha, autor do projeto fotográfico “Pedras de Água” versou sobre a relação da extração do mármore nas pedreiras de Vila Viçosa: “são pedreiras abandonadas que não dão para tapar numa zona onde falta muita água durante todo o ano”.
A água parada e abandonada ao nada de uma natureza a quem ninguém cuida é a marca do homem sobre a necessidade de querer o “ouro branco”, explica o autor. Quanto a José Valente, a influência do seu texto emboca na possível indefinição atual do Estado democrático - “promove-se a vulgaridade em vez da exceção”. O músico português acrescenta que onde o país peca é na falta de naturalidade em se querer saber num “plano aterrador que pretende tirar a cultura dos homens”.
Houve tempo para um showcase de Valter Lobo que ia musicando o debate. A música “Ser de Água” era originalmente um poema que o músico tinha enviado como colaboração na revista e que, mais tarde, decidiu transformar numa música.
“A revista parece-me interessante, é pena que não seja mais divulgada”, afirma a estudante Micaela Batista que assistiu à apresentação. O facto é que, mesmo sendo uma colaboração estreita com a Semana Cultural da Universidade de Coimbra, ninguém responsável por parte da reitoria se encontrava no Teatro. Fica a intenção de mostrar um ‘design’ com uma lombada “inacabada” segundo Filipe Furtado. Como se de um conjunto de trabalhos por explorar se tratasse.







