O insustentável peso da incerteza
Terça, 05 de Março de 2013
por Acabra .Net
Editorial por Ana Duarte
No passado dia 22 de fevereiro, o Secretário de Estado do Ensino Superior (ES), João Queiró, esteve em Coimbra para as comemorações dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra (UC). Uma visita sem grande impacto, um pouco ofuscada pela presença da vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, numa cerimónia que se deu na Sala dos Capelos, na parte da manhã. Alguns estudantes marcaram presença para mostrar indignação, esquecendo-se de um pormenor: é João Queiró, e não Viviane Reding, que assegura uma pasta que diretamente os afeta.
Voltemos ao assunto. Em entrevista ao Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA, o Secretário de Estado do Ensino Superior promove as ações do Ministério da Educação e Ciência (MEC) no que toca à não descida das dotações para os Serviços de Ação Social das Instituições de ES (IES). Subiram as dos SAS mais fracos, para aproximar da média. Até aqui, tudo bem. Mas, quando questionado sobre medidas, a curto prazo, para a situação de sufoco financeiro das IES, João Queiró não conseguiu responder, “esquivando-se” à pergunta. Contudo, afirma: “a estrutura do financiamento das IES portuguesas é muito pouco conhecida”. Se calhar não há mesmo e as universidades têm de continuar a arranjar formas alternativas de autofinanciamento – como os afamados ‘overheads’. Contudo, Queiró congratula as IES pelo seu dinamismo. Por outro lado, poderá ser visto como “último recurso”. Tudo depende da perspetiva.
No meio de tanta incerteza financeira, os estudantes, e as universidades, precisam de orientação: com que é que podem contar? Como? Quando? São precisas respostas, da parte do MEC. Para já. Essas dúvidas que os estudantes e as suas famílias enfrentam a cada dia que passa começam a tornar-se insustentáveis.
Nas comemorações dos 723 anos da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva tentou dar o seu melhor para responder àquelas questões. Analisa o corte de quatro mil milhões de euros que se abateu no país e aponta duras críticas ao Estado, aliciando também a sociedade a fiscalizar os custos financeiros. Está provado que o reitor está “do nosso lado”. É preciso que também estejamos do lado dele. Numa cerimónia matutina, contavam-se pelos dedos os estudantes presentes.Quanto aos membros da Direção-geral da Associação Académica de Coimbra, não se encontrava nenhum.
Não basta apregoar que se pertence “à melhor universidade do país” e “Coimbra é nossa e há de ser”. É inútil fazer barulho à porta da reitoria, de tempos a tempos, quando o reitor apela ao bom senso da sociedade, mais concretamente à dita “massa crítica do país”, e ela não está lá para o ouvir. Ainda para mais, quando João Gabriel Silva se mostrou tão frontal quanto sincero, sem hesitar nas palavras. Se calhar era demasiado cedo, já que a sexta-feira sucede à afamada “quinta-feira académica”.







