Relatório e Contas da DG/AAC 2012

Ficam valores por explicar no relatório

Terça, 05 de Março de 2013

por Acabra .Net

Uma análise ao relatório da DG/AAC 2012 conta com prejuízo em relação ao ano anterior e com despesas que ainda geram confusão por não estarem discriminadas. Conta-se, ainda, um Fórum AAC que teima em não ser em Coimbra e valores relativos às comunicações da casa que continuam por explicar. Por Liliana Cunha

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O Relatório e Contas de 2012 foi aprovado em AM com 83 votos a favor, 33 abstenções e 25b contra Foto por Ana Morais

Na base do Relatório e Contas da Direção-geral da Associação Académica de Coimbra 2012 (DG/AAC) estão vários montantes aos quais ainda não foi dada a última justificação possível. Para isso, conta detetar as verbas de certo modo avultadas para cada pelouro em questão. O termo da análise ao relatório relativo ao primeiro mandato de Ricardo Morgado terá de ser feito comparativamente ao do seu antecessor – Eduardo Melo. O primeiro valor a destacar será o diferencial do resultado do exercício. Enquanto no ano de 2011 este foi positivo – no valor de quase (105 mil euros), no ano de Ricardo Morgado o exercício foi negativo - deu prejuízo, e ascendeu a (- 163 mil euros).

Depois de muito se falar da tardia chegada dos números finais relativos a 2012, o destaque vem em grande parte no que toca à  administração. Sendo usual o setor dar saldo positivo  - o que se verificou de novo – existem despesas que chamam mais à atenção. Todavia, ainda antes disso, chega a polémica verba de 9728, 92 euros, relacionada com o busto e o torneio em homenagem ao Dr. Luzio Vaz, que remonta à decisão de Eduardo Melo mas que entrou já nas contas de 2012. “Não me vou pronunciar se foi certo ou errado. Não fui eu  que tomei essa decisão, mas a verdade é que o busto não está totalmente feito, falta a fundição”, explica o presidente da DG/AAC. Ricardo Morgado afirma que se suspendeu a conclusão do busto porque não se dão as condições para dar o dinheiro que resta – “não há hipótese”, certifica. Para com a administração, vem a verba de 1228,35 euros só com um anúncio nas Páginas Amarelas, a conta de telemóveis em cerca de 29 mil euros, uma conta de telefones em que ficam 13 mil euros por explicar e os trabalhos especializados em 65 mil euros que, mais uma vez, não são descriminados e explicados na totalidade.

Um edifício “mesmo muito velho”

Reportam-se, segundo Ricardo Morgado, nos trabalhos especializados “custos para a manutenção do edificio, eletricidade. Da mais pequena obra, como de arrombamento da porta, às obras nas caleiras do telhado às casas de banho”. O tesoureiro do mandato anterior, Ricardo Bem-Haja, reforça a justificação, mas nada mais adianta a não ser evidenciar que o  “edifício é mesmo muito velho, requer manutenção, casas de banho, gabinetes, tudo requer despesas”. Na verdade, o edifício número 1 da Padre António Vieira apenas tem cerca de 50 anos, como afirmou Ricardo Morgado na última Assembleia Magna (AM). “Este ano o valor foi mais elevado pelas obras da requalificação da fachada que obrigaram a intervenções que não se estava à espera, como a questão de chover no piso dois”, enuncia o presidente da DG/AAC. No entanto, a verba disponibilizada para a requalificação é inferior em dez mil euros à manutenção do edifício. Ricardo Morgado é o primeiro a declarar que “para se perceber, era necessário que esses valores estivessem discriminados”.

O valor relativo às comunicações da casa também gera incerteza. Atribui-se uma verba à utilização de telefones fixos de cerca de 16 mil euros e no que toca à receita, as secções apenas pagam pouco mais de 3 mil euros à DG/AAC. Sobra uma fatia de cerca de 13 mil euros que nem o tesoureiro nem o presidente sabem explicar: “isso é o que o centro de custos me dá. A maior parte das secções paga-nos, mas não é a totalidade”, tenta explicar o tesoureiro. Já Ricardo Morgado não sabe justificar o  diferencial. Pondera apenas que “ou não foram despesas cobradas ou dizem respeito à DG/AAC – o que era impossível, ninguém usa os telefones exaustivamente e ainda mais que a casa toda”.

Pese embora só o Pelouro da Ação Social e o das Relações Externas apresentarem um resultado positivo, persistem as despesas inexplicáveis, à primeira vista, em outros departamentos da DG/AAC. Torna-se interessante constatar que no Pelouro da Comunicação e Imagem, no ano de 2011, foram gastos dez euros. Em 2012, mais de seis mil euros. Entram o site da AAC e gastos com publicidade e propaganda. Ricardo Morgado refere que desta feita foram canalizados para os quase cinco mil euros em publicidade “sobretudo meios de divulgação transversais à DG/AAC, como ‘roll-ups’, ‘outdoors’, ‘merchandising’ e outros”. O site, questão antiga, voltou a dar despesa de 1800 euros. O presidente afirma que este está feito, mas que houve problemas com a migração de servidores. “Irá para o ar logo que as coisas estiverem afinadas. Vamos encontrar a altura certa para o lançar”, justifica.

Fórum AAC e prémios Salgado Zenha

A realização do Fórum AAC em Gouveia pela segunda vez gera estranheza pelo facto de rumar a outro local quando toda a estrutura associativa está em Coimbra. Ricardo Morgado atesta que é uma forma de ninguém se dispersar, mas os cerca de 2500 euros gastos em alojamento dão que pensar. “Admitiu-se pensar numa redução e num formato que seja em Coimbra, se bem que acho que não terá os mesmos resultados”, justifica o presidente da DG/AAC. Quanto à tomada de posse  - não inscrita no relatório -, chega mais de dois mil euros.

Os prémios Salgado Zenha merecem um último destaque. Afinal, o valor inscrito no relatório não é o custo final da entrega dos prémios (9250 euros). É o dobro. “ O acordo que tinha sido feito era de 50/50 – Conselho Desportivo (CD/AAC) e DG/AAC. Acho que não temos de fazer grandes jantares e grandes galas. Foi o dobro do dinheiro”. Ricardo Morgado adianta que o modelo a seguir não será o mesmo - “Os Salgado Zenha que eu realmente realizei são de 2013, que vai ser sem custos porque é o CD/AAC que cobre tudo”.

Restarão sempre incertezas a certos valores, mas por certo todos os sócios têm a possibilidade de confirmar os dados com a tesouraria. Ricardo Morgado acredita que seria “interessante uma auditoria à AAC”. Porém, para o presidente da DG/AAC, o grande desafio não é o de procurar o “que correu mal e pagar um grande custo por isso”. É “procurar soluções”.