Apesar das dificuldades os Salgado Zenha são um alento para o desporto
Terça, 05 de Março de 2013
por Acabra .Net
O desporto sempre foi um marco da Associação Académica de Coimbra (AAC) e os tempos atuais não são exceção. O mérito e os resultados alcançados pelos que praticam desporto com a camisola da academia foram mais uma vez premiados. A XVI Gala Francisco Salgado Zenha reconheceu várias secções desportivas da casa, que apesar das dificuldades, sobretudo económicas, veem nestes prémios algum ânimo para continuar. Por Ana Morais
Entre as 26 secções desportivas da AAC, as 30 modalidades praticadas na academia e os mais de cinco mil atletas a vestir a camisola preta e branca estão os melhores do desporto. A premiá-lo está a XVI Gala Francisco Salgado Zenha, dando o nome do líder e dirigente histórico Salgado Zenha aos prémios para o desporto da academia. Em cerimónia solene no passado dia 25 de fevereiro, o Conselho Desportivo (CD) atribuiu 11 prémios às melhores secções da casa como forma de motivar mais conquistas.
Todavia, o panorama de contrariedades é geral. Todas as secções da AAC parecem passar por várias dificuldades, sobretudo financeiras. Alguns atletas e seccionistas têm mesmo que pagar do próprio bolso para poderem competir. As culpas nunca são diretamente atribuídas, mas as falhas da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), as controvérsias da distribuição de verbas do CD, e ainda a falta de patrocínios são as razões mais invocadas.
Mas são as conquistas que estas secções proporcionam à academia que servem de reconhecimento e motivo de prémio. Assim, os Salgado Zenha são um alento para o desporto. Desta forma, é dada voz às secções premiadas.
De ressalvar, ainda, um prémio, a título póstumo, atribuído a Jorge Costa. Esta homenagem a um dos presidentes da Secção de Natação foi o considerado um dos mais emotivos, ao ser atribuído como Prémio Conselho Desportivo.
Secção de Atletismo
“Este prémio vem no seguimento de vários outros que têm sido atribuídos ao longo dos anos e é mais um que entra no espólio da secção”, refere com orgulho o presidente da Secção de Atletismo, Mário Rui. A secção contemplada com o troféu de Prémio Dedicação pelo trabalho do atleta António José Oliveira, não foge ao padrão. E apesar dos bons resultados competitivos, os esforços partem dos atletas e dirigentes devido à escassez de apoios externos.
“A nível financeiro, neste momento, poderá considerar-se uma autêntica desgraça”, afirma sem medo Mário Rui, ao explicar que são os próprios diretores, atualmente, a financiar as deslocações, refeições e alojamentos dos atletas. “Os nossos êxitos não se devem à AAC propriamente dita, devem-se aos dirigentes, aos atletas. E quando isto entra nesta situação está muito mal”, enfatiza o presidente. Ainda assim, os resultados competitivos estão a ser alcançados quer a nível individual quer a nível coletivo.
Dedicado à academia há cerca de 25 anos, o atleta António José Oliveira, vê no prémio conquistado o reconhecimento de “muitos anos de trabalho, não só em termos de treino e dedicação, mas também na relação com os atletas e no desenvolvimento da secção”. Ainda assim, o atleta não deixa de evocar a falta de financiamento. “Devia dar-se mais atenção às secções que estão a passar por um mau momento”, partilha. Por sua vez, Mário Rui mostra-se cauteloso em relação ao futuro: “estou preocupado com o desenrolar da época”.
Secção de Badminton
Sem contar com qualquer prémio estava a Secção de Badminton. O presidente, Elso Baía, explica que foi com alguma surpresa que receberam o Prémio Melhor Treinador para o seccionista Délio Gonçalves.
“Somos considerados uns dos melhores a nível nacional. Nos vinte primeiros lugares, a nível nacional, temos dez atletas”, reitera Elso Baía, para evidenciar os recentes feitos alcançados pelos atletas desta secção. Integrado na secção há 12 anos, Délio Gonçalves começou como atleta e acabou por ficar como treinador ao mesmo tempo que é jogador. “Treinamos todos os dias e é um premio para o trabalho feito ao longo de vários anos”, refere o treinador.
Apesar de os resultados competitivos serem dos mais prósperos da academia, os aspetos financeiros parecem não ajudar. “As secções, em termos financeiros, estão todas em baixa, os próprios atletas é que estão a pagar as saídas e o nosso treinador não recebe um tostão”, faz questão de frisar Elso Baía.
Secção de Basquetebol
Não tanto para contemplar o atual momento da Secção de Basquetebol mas sim para enfatizar a história e o percurso feito por quem lá passou foi o galardão de Prémio Prestígio atribuído ao reconhecido atleta e treinador Carlos Portugal. O presidente da secção, Carlos Gonçalves, vê no prémio ganho “um motivo de satisfação pelo passado e pelo presente que Carlos Portugal não só como atleta mas também como treinador”. O contributo do atleta para a modalidade é ainda hoje reconhecido por muitos.
Considerando a época atual como “muito positiva”, Carlos Gonçalves, ressalva o facto de este ano terem conseguido vários atletas nas seleções distritais e nacionais. Ainda assim, mais uma vez os contratempos financeiros evidenciam as dificuldades. “Situação muito difícil”, é desta forma que o presidente classifica o atual estado financeiro da secção. Ainda assim, Carlos Gonçalves evidencia os esforços que têm sido feitos para “levar a secção a bom porto”.
Secção de Ginástica
Os dois prémios que contemplaram a Secção de Ginástica são encarados pela presidente da secção, Ana Bastos, como “importante, apesar de remeterem ao ano passado e é o resultado do trabalho desenvolvido pela secção e uma mensagem à direção anterior”. A presidente considera o Eurogym do passado julho, em Coimbra, como o evento que permitiu o Prémio Secção.
Na Secção de Ginástica desde os sete anos, o ginasta Nuno Silvano foi galardoado com o Prémio Melhor Atleta Formação. “A secção sempre me apoiou e tem ajudado imenso no suporte de gastos”, reitera o jovem atleta. Contudo a presidente, mostra como esta secção não foge à regra, ao referir que tenta “ter uma gestão o mais organizada possível”, apesar das dificuldades.
Secção de Judo
A estagiar na Alemanha para se preparar para as próximas competições está Ana Sousa. A judoca da Secção de Judo foi contemplada com o Prémio Melhor Atleta e é com “grande orgulho” que encara este reconhecimento sem esquecer o papel que as restantes secções ocupam no desporto nacional e internacional. Vendo a secção como “um contributo para a formação como atleta”, Ana Sousa não esquece o outro troféu dado à secção: Prémio Melhor Equipa Seniores Feminina, que contempla o esforço coletivo. “O prémio de equipa foi muito importante, alem de histórico”, ressalva.
O presidente da secção, Rui Fonseca, explica que “a secção de judo está a ser reconhecida pelo trabalho que tem feito”. Ainda assim, relembra a situação pouco estável que ultrapassa a nível de financiamento: “temos dificuldades e temos de fazer uma grande racionalização das verbas”. Contudo, o presidente mostra a vontade que os seccionistas têm de ultrapassar o problema ao mostrar os esforços que têm sido feitos: “muitas vezes os próprios atletas têm de pagar as deslocações e estamos a falar de idas ao estrangeiro”.
Secção de Patinagem
A secção contemplada com dois prémios Salgado Zenha mostra, à semelhança das restantes secções, algumas dificuldades financeiras devido a incumprimentos de terceiros. “Se recebêssemos o dinheiro que nos estão a dever, teríamos uma situação equilibrada”, explicita o presidente da secção, Rui Freire. Dificuldades com a obtenção de patrocínios, os apoios escassos da AAC e as dificuldades com o financiamento da CMC são apontadas por Rui Freire como as principais razões para o estado atual da Secção de Patinagem.
Contudo, o cenário competitivo é mais motivador. “A nível desportivo, as coisas estão bem, temos mais de 180 atletas”, conta o presidente. Os bons resultados conseguidos pelas várias equipas da secção são enumerados com orgulho por Rui Freire, que evidencia a vontade de atrair mais atletas: “temos conseguido cativar muitos miúdos para virem para o nosso desporto.”
Ligado à AAC desde 1965 está Jorge Carvalho, o contemplado com o Prémio Carreira. Apesar de rever neste prémio o esforço coletivo, o desportista não deixa de lembrar como tudo começou. “É um prémio com significado para mim, individualmente, mas também para as duas secções”, reitera. Na Secção de Patinagem há cerca de seis anos está João Rodrigues, galardoado com o Prémio Melhor Dirigente. “Os últimos três anos foram bastante complicados, foi necessário um grande esforço”, desabafa o dirigente. Ainda assim, deixa a ressalva: “o reconhecimento que foi feito é um grande orgulho e tem ainda mais valor quando se trabalha no seio de uma associação que é tão rica em bons dirigentes”.
“Premeia o esforço de uma época e é isso que motiva as pessoas para continuarem.” É desta forma que o vice-presidente da Secção de Voleibol, Manuel Leal encara o galardão de Prémio Professor Alfredo Robalo atribuído a esta secção. Este prémio que contempla o desporto universitário foi atribuído à equipa masculina universitária de voleibol.
Quando questionado sobre a situação financeira atual, Manuel Leal é perentório: “a secção está falida como a maioria das secções da AAC. Não nos deram qualquer apoio esta época”. Apesar de lamentar a falta de apoios não atribui culpas e invoca os feitos competitivos das equipas da secção: “temos feito aquilo que nos é possível com os objetivos que delineámos no início da época, a manutenção das equipas seniores masculina e feminina”. Contudo, não deixa de lamentar: “não podemos fazer mais porque não temos capacidade para fazer”.
O então capitão da equipa universitária, João Oliveira, evidencia a formação de excelência que obteve na Secção de Voleibol, apesar de muitas vezes não ter qualquer treinador a orientá-lo. Todavia, o espírito de equipa permitia a conquista de bons resultados: “já nos conhecíamos e era mais fácil para nos organizarmos dentro e fora do campo”.







