A reforma do Ensino Superior
Terça, 05 de Março de 2013
por Acabra .Net
Uma Ideia para o Ensino Superior por Helena Freitas, vice-reitora para as Relações Institucionais da Universidade de Coimbra
No momento difícil que o país vive, o desafio que me colocaram – “Uma ideia para o ensino superior” - é especialmente complexo. Um olhar sobre o ensino superior, leva-me a equacionar muitos e diversos problemas, evidenciando a pouca capacidade que temos revelado para a reflexão que os tempos exigem. Decidi destacar alguns desses problemas, arriscando identificar o que, do meu ponto de vista, poderia ser prioritário na perspectiva de análise e reforma do ensino superior. Faço este exercício reconhecendo antecipadamente que podem ser outras as prioridades, em função do ângulo e dos pressupostos da análise.
É evidente que a evolução demográfica do país coloca uma forte pressão sobre toda a rede de ensino superior, em especial sobre as instituições universitárias localizadas em territórios mais afectados pela perda de população jovem, mas outras situações, como a dificuldade económica das famílias ou a insuficiência de resposta do mercado de trabalho, representam uma evidente adversidade para a procura universitária. Por outro lado, o próprio ensino enfrenta desafios importantes, que obrigam a reconfigurar permanentemente a metodologia de ensino, e a capacidade das universidades para atraírem estudantes. Quando as grandes universidades do mundo apostam de forma agressiva nos conteúdos lectivos digitais e no ensino à distância, temos que perceber como nos ajustaremos de forma competitiva a esta mudança profunda do próprio paradigma de ensino. Este desafio é especialmente importante para as universidades portuguesas, se estas pretenderem ter algum protagonismo no universo lusófono.
Mas distinguir as prioridades para a renovação do ensino superior português, não pode deixar de contemplar um modelo de apoio inequívoco ao mérito, e aos estudantes que querem progredir na sua formação académica, mas que não têm meios, nem pode esquecer a responsabilidade no apoio efectivo ao desenvolvimento económico, através do conhecimento e inovação, que são hoje ferramentas essenciais para tornar competitivo o tecido produtivo nacional. Esta reflexão tem ainda que abranger a rede de instituições de ensino superior, e ajustar a oferta à procura, sem desprezar na equação a coesão territorial e social. Precisamos de todas as instituições universitárias de igual forma?
Devemos manter ou patrocinar a profusão de cursos e instituições lectivas no ensino superior público? E se decidirmos e assumirmos que há excesso, devemos compor a oferta ou simplesmente eliminar o que é redundante? Vale a pena manter instituições que têm um papel impulsionador do conhecimento e da cultura nos territórios mais despovoados e mais frágeis do país? Deixo naturalmente estas questões em aberto, mas estou preparada para assumir as minhas respostas, e receptiva a uma mudança que é urgente.







